Chorar, sorrir, gritar, falar sem parar… Expressões de sentimentos que sentimos e exteriorizamos fisicamente. Ao menos é o que se espera quando sentimos algo, que possamos exprimi-lo de forma que aquilo possa fluir e seguir seu rumo, por assim dizer. Mas nem sempre é assim, não é? Pelo menos para a maioria das pessoas, em algum momento que seja, acabam tendo que reprimir e “engolir” os sentimentos que vivenciam. Quando são sentimentos ruins, como raiva, estresse, tristeza e qualquer outro que nos faça sentir mal e não exteriorizamos estes sentimentos, essa energia, acaba sendo assimilada por nós, não flui e se acumula junto a nosso ser.

Em longo prazo o acúmulo de energias prejudiciais acaba nos custando caro, nos deixando pessoas amargas, revoltadas, infelizes, desanimadas com a vida e as pessoas, quando não doentes. A medida em que entendemos isso por que continuamos a nos reprimir ou fingir que nada está acontecendo? Creio que o motivo que faz muitos de nós “engolir sapos” tantas vezes é cultural. A forma que aprendemos a lidar com os problemas e não se expor. A postura de ficar assustado, até horrorizado, quando alguém fala ou reage um pouco fora do convencional, daquilo que se espera. Muitas vezes o emprego depende dessa postura, os amigos dependem que você goste e seja semelhante a eles, o companheiro(a) tem expectativas em relação aquilo que você fará ou como irá se comportar, enfim, todos ao seu redor criam toda uma norma de comportamento que se espera de você que fica difícil sobrar espaço para que você seja você mesmo.

Você pode estar pensando agora “comigo não, eu sou eu mesmo, sempre fico à vontade e todos gostam do meu jeito. Não tenho problema com isso”. Mas será que essa pessoa que você é na frente dos outros é realmente quem você é ou você está tão imerso nessa consciência coletiva que lhe dita a forma com a qual deve se comportar que nem percebe que existe uma grande parte de você reprimida?

Mas qual solução então, chutar o balde e sair por aí fazendo o que der na cabeça como se não houvesse amanhã? Não acho que ninguém precise surtar para exprimir os sentimentos, especialmente se isso é feito naturalmente, a medida que vai se vivenciando eles. Sei que são muitos os momentos os quais temos que segurar o sentimento que surge, pois poderíamos nos prejudicar, ou mesmo prejudicar a outros. Porém, na primeira oportunidade, é importante colocarmos para fora aquilo, vivenciar e sentir o que tivermos que sentir e deixar a energia fluir. Para alguns o exercício físico é ótimo, para outros, atividades artísticas, a terapia costuma ser excelente opção também, assim como tantas outras atividades que possam fazer você lidar com aquilo que sente. Note que eu falei lidar com o que se sente e não disfarçar e fazer de conta que não aconteceu nada, porque empurrar para baixo do tapete só posterga e aumenta o problema.

Vamos prestar um pouco mais de atenção a nós mesmos e lidar com tudo o que sentimos, seja um sentimento bom ou ruim. A felicidade te tira os pés do chão, então permita-se flutuar, a tristeza lava a alma e purifica tudo aquilo que nos faz mal. A saudade é um sentimento que deve ser vivido e abraçado e da mesma forma que nos despedimos de quem gostamos, deixamos essa saudade passar e seguir seu caminho. O mesmo vale para os outros sentimentos que representam momentos que vivemos e que nos fazem aprender mais sobre a vida e nós mesmos.

 

Sentimento indomável

Quer fugir das rédeas firmes

E galopar por recantos desconhecidos.

Iluminando os cantos mais escuros,

Revelando minha ânsia pelo mundo.

 

Quero poder viver, sentir.

Quebrar as barreiras que me prendem.

Voar pelos ventos do amanhã

Que sempre vem me contar

Que o futuro me aguarda

Com verdades cruas

E alma desnuda.

Rodrigo Poiesis
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