Um livro, um lápis, um carro, uma casa… que valor essas coisas têm para você? E uma pessoa, um amigo, um parente? Acredito que cada um tem uma resposta única com considerações pessoais sobre o valor que dá a cada uma dessas coisas. Penso que a medida de valor está justamente nisso que acabei de comentar, em cada pessoa, pois cada coisa tem um determinado valor para cada pessoa. É importante entendermos o valor que cada coisa tem para nós porque o rumo de nossa vida segue alinhado com nossos objetivos e nossos objetivos tem relação com aquilo que valorizamos.

Em nossa realidade atual é comum as coisas serem mensuradas por valores financeiros e os valores financeiros serem sinônimo de poder e sucesso pessoal. É uma situação que reflete os valores da sociedade. Mas o valor que cada pessoa percebe dos bens materiais varia de acordo com a situação na qual se encontra. Um carro pode não ter muito valor para quem prefere transportes alternativos e um valor enorme para um taxista, assim como um livro pode ser libertador para um presidiário ou sem muito uso para quem não sabe ler. Varia também nas diferentes fases da vida, no início geralmente se tem pouco dinheiro e muito a se viver, e se vive muito tempo tentando acumulá-lo para ter uma vida confortável. Já no fim da vida, se tem mais chances de ter acumulado dinheiro, mas ele pode não ter muita serventia, por não poder comprar o tempo que passou.

 

CADA UM PERCEBE O VALOR DE UMA FORMA

 

Penso que ninguém tem o poder de dizer ao outro qual é valor de algo, pois cada um tem sua história, sentimentos e anseios. Do contrário, não existiriam as tais coisas com “valor sentimental”, que para uns não vale absolutamente nada e para outros vale muito. O valor se torna um problema quando nos aliena das outras coisas, vendados e sem direção somente seguimos o caminho que nos leva em direção aquela coisa que damos valor. Há os que passam uma vida inteira focando nessas coisas e se perguntados sobre o motivo disso, muitas vezes nem sabem responder. Geralmente procuramos no material aquilo que nos falta no sentimental e isso não resolve nada. Quando isso acontece a pessoa está num estado de fuga, se mantém em movimento atrás de certas coisas para fugir de outras (leia também o texto a fuga).

O valor não se restringe apenas a bens materiais, é relacionado as pessoas e cada um que faz parte da sua vida tem um valor diferente para você. Esse valor não depende de quem a pessoa é de fato e o que ela faz por nós, mas de como a enxergamos, da nossa percepção pessoal dela. Pode ser que você sofra de miopia de valor, dando valor para algo que não lhe retona nada de bom e não enxergando o que lhe faz bem. Isso é algo mais comum de acontecer do que se pode imaginar. Você pode ter aquela pessoa que você desabafa, que você briga, deixa de falar por um tempo e lhe aguenta quando você está de mal humor e você não dá valor a ela. Para piorar, pode ser que você admire e dê toda atenção para alguém que lhe faz mal ou nem saiba que você existe. Talvez a situação não seja assim tão clara de quem lhe faz bem ou mal, mas é bem provável que você tenha ao seu redor alguém que não esteja recebendo o devido valor.

 

PARE E VALORIZE

 

De tempos em tempos é importante fazer uma reflexão e entender o que vale a pena ou não em nossas vidas. Assim como fazemos uma avaliação no final do ano de tudo que passou e planejamos aquilo que queremos para o próximo ano, podemos fazer isso com as coisas e pessoas ao nosso redor. Pensar quais são aquelas que ainda tem valor para nós, aquelas que podemos mudar nossa forma de interagir e também as que queremos alcançar. Ao parar para pensar nisso certamente você irá perceber algumas coisas de forma diferente. Você pode chegar a conclusão de que está investindo em certas coisas que não lhe fazem bem e pode estar perdendo algo bom por não estar dando o devido valor. 

Acredito que o mais precioso a respeito do valor, é quando descobrimos o valor de coisas que antes não valorizávamos. Especialmente as pequenas coisas que fazem toda a diferença. Em nossa rotina estamos cheios dessas coisas e pessoas de valor. A dica para começar a descobrir elas é, além do óbvio que é prestar mais atenção as coisas ao nosso redor, desacelerar um pouco o nosso ímpeto de alcançar as coisas que estão lá na frente e nos questionar por qual motivo elas realmente têm valor para nós. Se elas valem todo o esforço empregado. Pergunte a você mesmo que tipo de vida você quer ter a partir de agora (não a vida dos sonhos lá no futuro – leia também o post: o que o futuro nos reserva) e que coisas são necessárias adicionar a sua vida para que ela fique mais próxima da sua necessidade. Essas certamente serão coisas de valor para você. Ao menos hoje, por isso não ficar mirando muito longe no futuro, pois amanhã seus valores tendem a mudar.

 

Rodrigo Poiesis
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