Lançada no ano de 1986, no albúm de nome “Dois” da banda legião Urbana, a música Tempo Perdido de Renato Russo nos convida a pensar a respeito do que fazemos com o nosso tempo. É uma reflexão rumo ao autoconhecimento e a necessidade de se tomar consciente sobre si mesmo e sobre aquilo que tem importância em sua vida.

 

Todos os dias quando acordo

Não tenho mais

O tempo que passou

Mas tenho muito tempo

Temos todo o tempo do mundo

 

O início da letra fala sobre o que ficou para trás, o tempo que passou e não volta mais. Porém, com uma visão comum na juventude, o personagem acredita ter todo o tempo do mundo pela frente. O pensamento de que ainda se pode fazer tudo sem se preocupar com o tempo está presente.

 

Todos os dias

Antes de dormir

Lembro e esqueço

Como foi o dia

Sempre em frente

Não temos tempo a perder

 

Na sequência da letra chama atenção a parte em que diz “lembro e esqueço”, a nossa rotina onde vivemos diversas situações, mas podemos deixar tudo se perder na memória e nem refletir sobre tudo que aprendemos. A vida está sempre nos ensinando, mas acabamos ignorando as diversas mensagens que ela nos envia, tudo porque “não temos tempo a perder”.

 

Quantas coisas deixamos pelo caminho afogados na ansiedade de alcançar o que está fora do nosso alcance? Sempre estamos correndo atrás de algo tão importante que deixamos para viver para outro momento.

 

Nosso suor sagrado

É bem mais belo

Que esse sangue amargo

E tão sério

E selvagem! Selvagem!

Selvagem!

 

Nossa luta diária para sobreviver e amadurecer, nosso esforço constante vale muito mais, “é bem mais belo”, do que aqueles que conquistam as coisas passando por cima dos outros, agindo sem medir consequências para conseguir o que querem. Esses são tão mordazes e ferozes que vivem como selvagens.

 

Veja o sol

Dessa manhã tão cinza

A tempestade que chega

É da cor dos teus olhos

Castanhos

 

Nesse trecho fica em destaque a reflexão sobre a forma de encarar os problemas da vida, em fazer de cada um de nossos dias melhores. Mesmo em dias ou momentos difíceis, a “manhã tão cinza”, é possível encontrar algo de bom, fazer as coisas diferentes e construir resultados positivos que mudem nossa realidade, é o “enxergar o sol”. Qualquer dificuldade que você enfrente, “a tempestade que chega”, depende de como você a enxerga, “é da cor dos seus olhos”.

 

Então me abraça forte

E diz mais uma vez

Que já estamos

Distantes de tudo

Temos nosso próprio tempo

Temos nosso próprio tempo

Temos nosso próprio tempo

 

Perceber essa realidade de que passamos tanto tempo trabalhando por coisas que na verdade podem não ter nenhum valor ao mesmo tempo que deixamos de lado a verdadeira essência da vida pode ser perturbador. Até que se encontre o seu próprio caminho e se crie algo que lhe dê propósito a turbulência de viver situações que vão contra aquilo que você sente e acredita pode lhe fazer sofrer. “Então me abrace forte”, a busca por alguém próximo que lhe dê apoio junto da vontade de estar vivendo a sua própria realidade, fazendo aquilo que faz sentido, expresso no “temos nosso próprio tempo”, resume esse trecho da música.

 

Não tenho medo do escuro

Mas deixe as luzes

Acesas agora

O que foi escondido

É o que se escondeu

E o que foi prometido

Ninguém prometeu

Nem foi tempo perdido

Somos tão jovens

Tão jovens! Tão jovens!

 

A última parte da música fala sobre autoconhecimento e o entendimento de que nos falta tanto ainda a aprender. O “não tenho medo do escuro” afirma que não há medo que existe para se descobrir, enquanto o “mas deixe as luzes acessas” pede que se traga a luz aquilo que está oculto. Para que possamos conhecer e entender aquilo “que foi escondido” e o “que se escondeu”, aquilo que escondemos de nós mesmos.

As promessas de vida melhor não estão naquilo que hoje é prometido pelo senso comum, naquilo que a sociedade prega como sucesso. A busca pelo autoconhecimento é o caminho de evolução do ser humano e cada experiência é válida, não há “tempo perdido”. Nesta caminhada de aprendizado e evolução temos muito pela frente, somos ainda “tão jovens”.

 

 

Você já tinha parado para pensar a respeito da letra dessa música? O que acha dela?

Rodrigo Poiesis
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