A solitude se refere a solidão necessária que todas as pessoas têm em algum momento. Não um sinônimo para se sentir sozinho, mas uma conexão com seu eu interior. É o momento em que você estabelece um canal de comunicação com você mesmo. Na solitude você cria o seu espaço com você mesmo.

Para algumas pessoas essa ideia pode parecer estranha, mas não precisa ir muito longe para entender o conceito. Se você já se pegou falando sozinho ou se perdendo em meio a pensamentos sobre sua vida ou o momento em que vivia, você tem ideia do que estou falando. Esses exemplos podem ser vistos como a porta de entrada para solitude.

Mais do que pensamentos aleatórios ou um questionamento interno sobre algo a solitude é um espaço, quase físico, que você adentra para acessar num novo mundo. É um espaço mental no qual você se desliga do mundo físico, das coisas externas. Quanto maior for esse “desligamento” externo, maior o poder da solitude.

 

O PODER DA SOLITUDE

 

O poder que a solitude tem pode variar bastante entre uma pessoa e outra. Para alguns se refere apenas a um breve momento em que irá organizar os pensamentos e gerar ideias. Para outros, é um espaço no qual o tempo parece não existir e novos conceitos podem surgir. Cada mergulho na solitude pode trazer à tona um mundo novo.

Não é que o mundo em si irá mudar, mas a visão que a pessoa tem do mundo. Quando isso acontece a realidade dessa pessoa muda automaticamente. Esse é o grande poder da solitude. Poder mudar realidades, poder fazer nascer novas pessoas, com novos olhos para a vida. Pessoas que não se acomodam e buscam a constante evolução.

Se engana quem pensa que a solitude esteja ligada a pessoas que passam o dia pensando na vida sem produzir. Que se refere a gente que não quer nada com nada e vive sonhando. Nada mais distante da realidade. Pois quem tem a solitude como companheira de vida sabe que não há vida sem movimento, sem criação constante.

 

ANTES MAL ACOMPANHADO DO QUE SÓ

 

Na nossa cultura estar junto das outras pessoas é estar bem, saudável, feliz. Enquanto estar sozinho é sinônimo de estar isolado, ser desprezado, estar doente, com problemas e tantas outras situações que fazem alguém se distanciar dos outros. É natural que o instinto das pessoas seja o de estar (mesmo que forçadamente) sempre em companhia. Afinal, todos querem ser, ou parecer, felizes e aceitos.

A conhecida frase antes só do que mal acompanhado se tornou sinônimo de rebeldia, de falta de opção. Na prática, na falta de boas companhias, a maioria das pessoas acaba optando por estar mal acompanhado mesmo. Desde que tenha companhia. Se o instinto natural das pessoas é esse, quem vai querer pensar em estar só consigo mesmo?

Se você está iniciando no exercício da solitude e construindo seu espaço com você mesmo é natural que comece a rever muitos conceitos. Você passa a ver você mesmo com outros olhos e também as pessoas ao seu redor. Tudo isso corresponde a mudanças e é comum que mudanças tragam consigo o sentimento do medo.

 

MEDO DE SI MESMO: A GRANDE AVENTURA DE SE CONHECER

 

Se não somos boa companhia para nós mesmos, seremos para quem? Não dá para buscar no outro aquilo que você não tem. Para quem não conhece a si mesmo, o mínimo que seja, não é possível fazer conexões reais com outras pessoas. Tudo fica no superficial e se desfaz ao menor movimento do tempo.

A grande dificuldade das pessoas em ficar sozinha com si mesmas é a de enfrentar seus medos e receios. Ter que se envolver com situações com as quais não se sentem seguras ou com estrutura para lidar. Esse é um medo legítimo e deve ser considerado. O que deve ser entendido em relação ao medo é que ele não pode ser um ponto de parada.

Naturalmente o medo é uma barreira e sua função é essa mesmo (entenda melhor lendo o texto Medo de errar). Isso não quer dizer que no momento que sentimos medo devemos nos acomodar. A partir daí entra em cena o conceito de coragem, que não é o de não sentir medo, mas o de, mesmo com medo, seguir em frente.

Pode ser que você precise da ajuda de alguém que você confia e lhe conhece bem para passar por essa transição e começar a olhar para si mesmo. Essa ajuda pode ser encontrada em profissionais orientados para o autoconhecimento como o psicólogo, o terapeuta ou um coach. Tudo isso é natural e faz parte do processo de autodescoberta.

 

A LIBERDADE DA COMPANHIA DE SI MESMO

 

Enquanto você não conseguir andar de mãos dadas com você mesmo a ideia de solitude pode dar medo ou parecer algo melancólico. Quando você não se conhece e não desenvolveu um diálogo interno é normal que se sinta só sem a presença de outra pessoa. A libertação que a solitude proporciona acontece à medida que você vai se conhecendo.

Se você vive fugindo de estar só e se apoia em pessoas que não conhecem nada de si mesmas a estagnação toma conta. Você não vai para frente, tampouco sabe para onde quer ir. Todas as distrações do mundo não serão suficientes para preencher o vazio que se cria no peito. Você sucumbe as pressões externas ao preço da sua felicidade.

Ao criar seu espaço com você mesmo na solitude você descobre aquilo que precisa ou deseja e aquilo que não lhe faz falta. A medida que vai se conhecendo melhor você também gera mais empatia. Desenvolvendo uma visão mais apurada da sua própria vida você pode visualizar e entender melhor a vida do outro.

Seus relacionamentos melhoram, você se torna mais seletivo. Entende que as boas companhias são contabilizadas por qualidade e não quantidade (leia também o texto Amigo de verdade). Descobre que você pode ser a sua melhor companhia e que não há melhor sensação de que a de se sentir livre para escolher o caminho que quiser.

 

 

Se isso fez sentido para você comente abaixo e compartilhe nas suas redes sociais para que outras pessoas também possam refletir sobre isso.

 

 

EU INTERIOR

 

Sempre quis lhe conhecer,

Mas o tempo em frente ao espelho

Não me permitia perceber.

 

O medo estava ao meu lado

E eu não ficava parado

Com receio de me perder.

 

Com os olhos fechados

Pude finalmente ver

O caminho até você.

 

Peculiar espaço meu

De um vazio que se completa,

De um silêncio que fala de tudo.

 

Como é bom lhe conhecer!

Velho conhecido desconhecido

Quero poder abraçar você.

Rodrigo Poiesis