RELACIONAMENTOS REAIS

O ser humano tem a necessidade de pertencer a determinados grupos, é um ser social, que constrói sua vida com base em diferentes relacionamentos. Quando nossa individualidade sobrepõe algum conceito da coletividade é possível que ocorra uma disrupção – quando muda muito o curso de algo, quando apresenta uma inovação. Seja na forma de se pensar ou lidar com algo, seja no comportamento e no tratamento do coletivo conosco. A história da humanidade está repleta de registros de pessoas que travaram verdadeiras batalhas pelo direito de vivenciar ideias e crenças próprias.

Atualmente o direito de livre pensar e viver a vida da maneira que acredita ser melhor existe, mas na prática, a coletividade tem ainda muita resistência a assimilar o diferente. Mesmo a humanidade vivenciando uma longa jornada de desenvolvimento no planeta obtida pelo resultado do diferente, de algo que mudou a maneira de ser fazer ou pensar algo. Ainda assim, o diferente não é bem recebido quando apresenta uma disrupção no modo de ser das pessoas. Por mais que não seja uma resistência declarada, podemos sentir claramente quando determinadas pessoas não aceitam nossa maneira de ser ou pensar quando se difere da delas e das pessoas com as quais elas estão acostumadas a conviver.

É importante dizer que não estou aqui apenas falando de grandes grupos da humanidade, ou de diferenças gritantes na forma de ver e vivenciar a vida. Essas são diferenças que podemos observar com mais facilidade, diferente das pequenas e inúmeras diferenças que estão dispostas em nossos relacionamentos do cotidiano. Acontece nas conversas, nos olhares e no comportamento dos que estão ao nosso redor, são ações, geralmente silenciosas e mascaradas por falsos assentimentos diante de nós. Esse segregamento não declarado criado por aqueles que não aceitam aquilo que afronte suas próprias ideias e forma de viver sufoca a capacidade real da individualidade em criar e desenvolver novas formas de viver e sentir. Arrasta e delonga o desenvolvimento humano entre seus pares que poderia fluir e se aprimorar de forma muito mais rápida se tivesse livre passagem entre os modos de vida existentes hoje.

As diferenças começam em casa, com a família, na dificuldade de aceitação. Aceitar, antes de tudo, é respeitar. Também é buscar formas se conviver harmonicamente com a realidade de cada um. Nem sempre é fácil, geralmente é preciso esforço, mas sempre é recompensador. Pois são nessas novas conexões criadas na aceitação das individualidades que construímos algo verdadeiro entre uma pessoa e outra. Deixamos o automatismo do comportamento social para vivenciarmos sentimentos em meio a liberdade do sentir e pensar. Pode até parecer utopia falando assim, mas são mudanças das atitudes do dia a dia, na forma de ver e respeitar o espaço do próximo de modo que possa enxergá-lo verdadeiramente por quem ele é e não pela forma com que ele se comporta em comparação aos outros.

Pense bem, tirando todo o formalismo dos cumprimentos e conversa fiada que você emprega com as pessoas ao seu redor, o que você conhece delas? Por que você convive com elas? O que elas têm a ver com você verdadeiramente? Aliás, quem é você de verdade? Essa é pergunta que dá inicio a tudo. É preciso primeiro conhecer a si mesmo e se aceitar para que possa conhecer a aceitar as outras pessoas e criar verdadeiros relacionamentos.

 

 

Simplesmente não entendo

O motivo do desprezo.

Palavras sem respostas,

Amigos que não se importam.

 

O convívio de tantos anos

Esquecido rapidamente.

Tudo quanto dividimos

Era vapor no tempo.

 

Pensei te conhecer,

Mas a verdade que ficou

Foi o vazio que sempre existiu,

Disfarçado em corriqueiro ardil.

 

É uma armadilha dentro de mim mesmo,

Algo que me guia em direção ao abismo.

 

Máscara que reluz,

Miragem que seduz,

Anestesia o coração

E cria uma doce ilusão.


 

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