Certa vez conheci uma pessoa que buscava um companheiro, alguém para compartilhar bons momentos e fazê-la sorrir. Um parceiro de saídas e aventuras, alguém capaz de fazê-la uma pessoa mais animada, esquecendo dos problemas, que a fizesse sair da rotina. Em suas palavras ela dizia acreditar que o tempo e a convivência desenvolveriam o amor. O amor na visão dela era algo mais prático do que um encontro de almas, portanto, bastaria os dois se darem bem e ter os mesmos objetivos que tudo mais se arranjaria.

O tempo lhe diria que não, que as coisas não são bem assim, que os sentimentos não surgem da razão e controlar os acontecimentos friamente não teria o resultado planejado. Mas ela não entendia dessa forma, os conflitos e problemas gerados ao longo do tempo com diferentes parceiros somente lhe fizeram procurar por erros nela e naqueles que passaram por sua vida. Os motivos eram vários, não fazer algo, ou fazer em excesso, não estar presente, não se comportar como deveria. Ela se perguntava o que tinha feito de errado e por que atraia sempre relacionamentos que não davam certo.

 

O CARA PERFEITO?

 

Fato é que a insatisfação sempre surgia em algum momento e não demorava para deixar a pessoa com quem estava para buscar outro. No primeiro obstáculo ela desistia, estava sempre em busca do tal cara ideal para o seu futuro como se houvesse alguém que combinasse perfeitamente com ela. Não, não queria o cara perfeito ela dizia, bastava alguém que lhe fizesse sentir bem e ter belos momentos e que não atrapalhasse sua vida, rotina e algumas manias bobas que tinha. Que não fosse contra nada que já estivesse estabelecido e se encaixasse em sua vida como uma peça perdida do quebra-cabeça, preenchendo um incomodo vazio, mas sem desordenar as demais peças.

Buscando um amor racional ela nunca encontrava a satisfação que buscava. Não percebeu que quando se trata de sentimentos o racional e o controle não tem muito a oferecer. Só entende o amor quem o vive, mas para senti-lo é preciso se entregar, é preciso acreditar, confiar em algo além de você. Por isso que o amor te faz sentir maior que você mesmo, porque ele vai além e te faz alguém melhor. Mas o amor não é mágico, não é um conto de fadas, ele é um sentimento que precisa ser nutrido e vivenciado todos os dias.

Quando você tem algo assim valioso você luta por ele todos os dias, as dificuldades aparecerão, elas são parte da vida, mas junto de quem você ama você pode mais. Juntos vocês alcançam novos patamares, se tornam pessoas melhores e aprendem juntos. O amor não é só se sentir bem e tirar fotos com sorrisos por aí, o amor é crescer e se superar, é se doar ao outro de uma forma que não se doaria a mais ninguém. É acreditar e lutar pelo outro e sentir no bem-estar dele o seu.

 

MEDO DE AMAR

 

Em meio a um mar de relacionamentos descartáveis e sentimentos deixados de lado as pessoas estão descrentes dos sentimentos reais e boas intenções. Muitas preferem não dizer a si mesmas que o amor existe como forma de se proteger, não se abrir para ele evitando um possível sofrimento. A possibilidade de atrair alguém superficial que só quer viver o momento é alta realmente, mas será motivo suficiente para deixar de acreditar no que realmente importa?

Vou te contar o que aconteceu com a tal pessoa que procurava pelo cara que a faria feliz. Se você está pensando que ela não encontrou esse cara, você acertou. Mas é como dizem: quem procura acha. Num certo ponto, após várias tentativas ela sentiu que era melhor se garantir com alguém do lado dela e acabou ficando com uma pessoa que trouxe mais problemas do que ela imaginava. No começo estava tudo bem, pois o cara também adorava curtir bons momentos, só que depois que esses momentos passaram ficou a frustração da realidade de conviver com alguém que parecia com ela e estava numa relação sem sentimentos reais.

Vivendo uma vida de aparências e vazios nunca preenchidos surge a crença de que o amor não existe ou de que não se tem sorte no amor. Mas o que é a sorte no amor senão o amor que temos a nós mesmos em primeiro lugar. Não há como esperar que apareça alguém que venha nos fazer felizes, a felicidade depende inteiramente de nós. O amor não é uma busca por felicidade, mas um compartilhamento de felicidade. Não se pode esperar que o outro conserte aquilo que está problemático ou cubra o buraco do vazio que se sente. O que se pode ansiar é encontrar alguém que esteja sintonia com você e amplie seus horizontes, sua percepção da vida e, claro, sua felicidade.

 

 

SENTINDO E APRENDENDO

 

Nem todos os sentimentos são bons,

Mas todos eles trazem algo de bom.

Sentir é ter a chance de crescer, de entender.

Saber que existe algo maior do que você,

Algo que expande o seu ser.

Que faz tudo valer a pena

E desnuda um mundo antes nunca visto.

 

Algo difícil de encontrar,

Muitos não conseguem acreditar

E deixam-se entorpecer

Por instantes de euforia.

 

Fingindo que não há vazio

Buscando a cura para um mal íntimo

Que insisti em gritar quando há silêncio

E fazer sangrar o coração indefeso.

Mas não há cura para o que não está doente,

Nem sossego para quem foge de si mesmo.

Rodrigo Poiesis