Reclamar da vida é algo bastante comum, onde quer que você encontre um grupo de pessoas reunidas é bem provável que você escute algum tipo de reclamação. Reclamar chega a ser uma forma de puxar conversa, reclamando do clima, do preço de diferentes produtos, da política, etc.

A repetição contínua do ato de reclamar leva ao hábito e, como todo hábito, é difícil de mudar. É complicado conviver com pessoas que estão sempre reclamando. Também não é fácil enxergar a vida em preto e branco, sem poder esperar por coisas boas ou acreditar que é merecedor de algo sem que algo pior apareça para estragar tudo.

Não creio que exista alguém que nunca reclamou na vida. Isso é algo tão vivo e forte na sociedade e faz parte do nosso dia a dia de maneira tão intensa e comum que nem percebemos a reclamação como algo prejudicial.

 

RECLAMAÇÃO COMO HÁBITO

 

Um hábito é criado depois de muita repetição, de nos habituarmos com um comportamento. Quando uma ação se torna automática e presente em nossas vidas. A reclamação é um hábito que se cria apoiada no comodismo.

Se você se deparar com uma situação que tem que refazer todo um trabalho, pois algo estava errado na execução, qual sua reação? Se você tem a necessidade de fazer um novo curso para se capacitar, mesmo que não esteja com vontade, qual a primeira expressão que saí da sua boca?

Nesses exemplos a probabilidade que a reclamação seja o primeiro impulso a surgir é bem alta. Mesmo em situações que percebemos o benefício de fazer uma mudança ou de nos aperfeiçoarmos tendemos a reclamar daquilo. Sair do conforto da posição em que estamos nos incomoda. O comodismo anda de mãos dadas com a reclamação.

São inúmeras as situações que podemos encontrar motivação para reclamar. Se o seu olhar sob a vida é o de encontrar problemas e empecilhos para seguir em frente (mudar), então a reclamação é sua companheira.

A lei do mínimo esforço age para nos fazer agir sem desperdiçar energia, nem fazer esforços desnecessários. Se bem utilizada ela pode nos render bons resultados com pouco esforço. Mas se o instinto de preservação de energia nos tornar inertes isso será bastante prejudicial.

Não mudar é ir contra o movimento da vida de constante evolução e desenvolvimento. Pessoas que se habituam em reclamar da vida tem dificuldade em mudar e justificam sua estagnação apontando problemas e situações difíceis que as pessoas que buscam a mudança possam vir a enfrentar.

O que as pessoas que tem o hábito de reclamar não falam é que, mesmo não mudando ou procurando fazer as coisas de forma diferente, elas continuam com problemas. Pior é que se não mudam os problemas só se tornam maiores e, consequentemente, as reclamações. Até o ponto em que começam a se ver como vítimas do destino.

 

A RECLAMAÇÃO É PREJUDICIAL

 

Ao considerar que estamos constantemente influenciando e sendo influenciados pelas pessoas ao nosso redor, não é difícil imaginar como alguém que está sempre reclamando e de mau humor pode impactar quem estiver próximo.

Pode ser que você não seja essa pessoa reclamona que nunca está totalmente satisfeita e sempre acha que algo pode dar errado, mas é provável que conheça alguém assim. Pessoas que se deixam envolver pela expectativa do erro, do surgimento de problemas e sempre apontam o que não é bom, o que não deu certo.

Para muitas pessoas reclamar da vida refletirá em se tornar alguém ranzinza, que está sempre apontando defeitos e se esquivando de fazer algo para mudar. Para outras a situação pode ser mais complicada. Se manter estagnado e se envolver com a energia negativa da reclamação e insatisfação diante da vida pode ser patológico.

Quando a irritação e o mau humor vão se aprofundando e dando espaço para o desânimo, falta de energia, isolamento social e tristeza a pessoa pode estar sofrendo com a distimia.

 

QUANDO RECLAMAR DA VIDA É UMA DOENÇA

 

A distimia é um Transtorno Depressivo Persistente (TDP), conhecido popularmente como doença do mau humor.  É um tipo de depressão, que não chega a ser tão profunda quanto a depressão na forma como conhecemos. Ela se caracteriza por ser crônica, acompanha o indivíduo ao longo da sua vida.

Como essa doença não faz a pessoa parar de viver e cria sintomas que se mantém constantes para quem sofre com isso, a tendência é que as pessoas achem que isso faz parte da personalidade de quem sofre com a distimia.

Dificuldade para dormir, para se concentrar, se alimentar, baixa autoestima, irritabilidade, pessimismo são alguns dos sintomas que caracterizam essa doença. Todos eles de forma constante, por isso, as outras pessoas acreditam que isso é o normal da pessoa que sofre com esse problema.

O maior problema está justamente em acreditar que o normal da vida é ser infeliz e não conseguir se sentir bem consigo mesmo. A distimia é uma doença que tem tratamento e pode ser superada. Mas é preciso que a situação seja encarada com seriedade e se procure ajuda profissional.

 

DEIXANDO A RECLAMAÇÃO PARA TRÁS

 

Como qualquer outro hábito a reclamação deve ser encarada de forma a se modificar a sua reação diante dos gatilhos mais comuns que desencadeiam a reclamação. A ideia é trocar um hábito ruim por outros mais saudáveis. Isso leva tempo e demanda querer (de verdade) realizar uma mudança.

Comece prestando atenção aos momentos e situações aos quais você mais costuma reclamar. Entenda quais são as coisas que mais te incomodam e como você gostaria que as coisas fossem. Você pode projetar um plano de ação para as coisas que estão mais próximas de você e que você tem condições de mudar.

Procure coisas que lhe deem prazer em fazer, um novo hábito deve ser incorporado proporcionando bem-estar. Sempre que vier uma reclamação de algo a sua cabeça, pense por qual outro ângulo você poderia enxergar a situação. Procure perceber se a situação é tão ruim realmente e se não há possibilidades de melhorá-la.

O esforço inicial de transformar esse hábito daninho certamente lhe trará recompensas depois. Você perceberá que a mudança está na distância do seu querer e na força de vontade para fazer acontecer. Essa é justamente a força que faz você se transformar na sua melhor versão.

 

Infográfico 01 - Reclamar da vida

Infográfico 02 - Reclamar da vida

 

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Rodrigo Poiesis
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