Vivemos numa época onde muita coisa mudou nos últimos anos, muito se descobriu, muito se avançou, mas ainda há muito o que mudar. Cada vez mais as pessoas sentem a necessidade de avanços e melhorias. Mas muitas ideias alimentam o extremismo que está associado a dificuldade de aceitar as diferenças.

A diversidade faz parte da natureza, para o ser humano isso não é diferente. Variadas formas de pensar e viver sempre foram comuns. A diversidade no modo de ser sempre esteve presente na história da humanidade. O que nem sempre esteve presente é a aceitação das diferenças.

Cada pessoa é diferente das outras em variados aspectos. Seja na aparência, no comportamento ou no modo de pensar, o conjunto de nossas diferenças é o que nos torna únicos. Mas a individualidade e a autenticidade não são valorizadas como o comportamento coletivo ou as divisões em grupos.

 

PENSAMENTOS DE GRUPO

 

As pessoas se unem em grupos por algum tipo de afinidade. Ao invés de valorizar e incentivar as diferenças de cada um, os grupos enaltecem aquilo que eles têm em comum. Quando alguém se diferencia muito do modo de ser e pensar do coletivo que está inserido, acaba sendo excluído.

O ser humano é um ser social e que valoriza o pertencimento a grupos. Tal como uma matilha ou uma manada, onde os animais do coletivo ajudam na caça e proteção contra predadores. O grupo é como uma fortaleza que dá maior confiança, segurança e sensação de poder aos seus integrantes.

Ninguém quer se sentir sozinho e perdido, sem amparo ou amigos com que possa contar. Pelo medo de ser excluído de determinados grupos uma pessoa pode acabar abafando sua individualidade e mergulhar de cabeça nas ideias e comportamentos do grupo ao qual faz parte.

Essa forma de agir ao procurar grupos e ter medo de ser excluído é instintiva, ou seja, acaba sendo um comportamento automatizado, no qual as pessoas tem pouca ou nenhuma consciência da sua forma de se comportar. Agem com base no medo sem entender a situação, apenas reagindo ao que sentem.

 

ALÍVIO DA ANSIEDADE

 

A possibilidade de ser desvinculado do grupo e as incertezas geradas pelas mudanças que vivemos geram ansiedade. A incerteza do futuro faz com que as pessoas queiram respostas para se sentirem seguras. Grupos que oferecem respostas simples e que os indivíduos sintam certa afinidade vão crescendo e se distanciando das outras pessoas.

Imagine uma pessoa que acredita que pessoas de alguma região ou de determinada crença são inferiores ou problemáticas de alguma forma. Para essa pessoa será fácil se associar a grupos que culpam essas mesmas pessoas por problemas sociais, políticos ou econômicos.

Uma característica do pensamento dos extremistas é simplificar a causa dos problemas. Ao reduzir a problemática e alimentar a preguiça mental das pessoas, que não precisam parar para pensar na situação em que vivem, muitos indivíduos se acomodam no pensamento do grupo sem a preocupação de entender mais a fundo o que defendem.

Os extremistas ganham adeptos que se afinam com os demais pela falta de disposição de encontrar soluções inovadoras e que gerem benefícios globais e não apenas a um determinado grupo ou forma de pensar.

 

PENSAMENTOS RÍGIDOS

 

Para defender sua posição e se manter na sua zona de conforto os extremistas acabam gerando pensamentos rígidos. São formas de pensar que impedem o reconhecimento de suas próprias limitações ou de outras alternativas. É uma rigidez que não permite mudanças e se reveste como único meio de resolver a situação.

Aqueles que têm pensamentos rígidos experimentam um sentimento de superioridade em relação a sua forma de pensar. Ao acreditar que sua ideologia é a melhor, a mais correta, não há espaço para correções ou alterações na sua forma de ser e pensar.

Um estudo da Universidade de Cambridge revelou que pessoas que tem uma visão de mundo mais simplista, percebendo tudo como preto e branco e com dificuldade em processar ações mais complexas são mais atraídas a ideologias extremistas e autoritárias.

Ao se alinhar com formas de pensar mais limitadas o posicionamento extremista reforça a inércia de quem pouco ou nada faz pelo seu aperfeiçoamento. Buscar o próprio desenvolvimento requer estar aberto a mudanças, lidar com erros e não ter medo de mudar de ideia ao longo do tempo.

Uma simples conversa com uma pessoa extremista pode ser um grande desgaste e não gerar qualquer crescimento ou conclusão positiva ao final. Quando duas ou mais pessoas conversam apenas com o intuito de provarem que os seus pontos de vista são os corretos, então não há diálogo, apenas um embate na busca de um vencedor.

 

QUEM É O VENCEDOR?

 

Se você já debateu algum assunto com uma pessoa extremista deve ter percebido que não chegou a lugar algum na conversa. Você pode ter tido toda boa vontade e paciência para tentar demonstrar diferentes pontos de vista e argumentos para que a outra pessoa se abrisse a novas formas de pensar. No entanto, isso não acontece.

Na disputa entre extremistas para provar quem está certo só há perdedores. Os atritos gerados nas discussões e posicionamentos podem gerar vítimas que podem nem fazer parte desse cabo de guerra.

Relacionamentos dificilmente sobrevivem, amigos podem se desentender e se afastar, familiares podem brigar e alimentar as mágoas por uma vida toda. Ao pensar e viver de forma diversa do extremista a convivência se torna difícil e o distanciamento é algo natural.

Não há vencedores nessa disputa de pensamentos engessados que não querem ou se permitem mudar. O medo da mudança, a falta de empatia e disposição para entender a situação e lidar com os pensamentos sem se deixar dominar pelas emoções gera indivíduos fechados em si mesmos e afastados do mundo.

 

COMO LIDAR COM PESSOAS EXTREMISTAS

 

Podemos encontrar indivíduos extremistas e difíceis de lidar em diversas situações. Seja na família, no trabalho ou em algum evento, a pessoa com posicionamento extremista e inflexível poderá estar presente. A primeira e mais importante dica para lidar com pessoas assim é não entrar num embate.

A tendência das pessoas extremistas é a de gerar uma discussão para que elas possam impor o seu modo de pensar para os outros. Basicamente querem a aprovação do seu modo de agir e pensar. Seja para alimentar o ego ou para se manterem seguras na sua zona de conforto.

Essa fase de extremismo e percepção limitada do mundo pode ser encarada como uma fase do desenvolvimento das pessoas. Não encarar esse posicionamento como algo definitivo pode ajudar bastante.

Assuntos polêmicos e complexos podem não ser a melhor opção para conversar com pessoas extremistas. Entender quais tópicos causam maior comoção pode ajudar. Procure ter paciência e evite abordar assuntos nos quais você sabe que a pessoa tem mais dificuldade em lidar.

Se a outra pessoa não consegue respeitar as diferenças dos outros não quer dizer que você também não tenha que respeitar. Entenda que todos somos diferentes e não são todos que conseguem perceber e respeitar isso de forma adequada.

Aceitar as diferenças, ser paciente e tolerante não quer dizer que você tenha que aceitar tudo. É importante saber impor limites e se distanciar quando for necessário. Se os outros estão atacando e procurando problemas, tenha foco em buscar soluções. Seja a pessoa que você gostaria que os outros fossem.

Quem deseja se aperfeiçoar e lidar bem com pessoas diferentes deve investir na inteligência emocional que proporciona um entendimento e maturidade em relação as emoções. Aprender a gerenciar e promover o bem-estar por meio das emoções poderá melhorar sua vida em todos os aspectos.

 

 

EXTREMO DECADENTE

 

Quando o ego e o medo falam mais alto

O homem perde a sua essência

Abraça seus instintos

E corrói a convivência.

 

Nesse cabo de guerra sem fim

Não há vencedores.

Apenas gritos sem razão

Tentando ganhar pela comoção.

 

A humanidade está saturada.

Já não suporta mais os velhos pensamentos,

As rupturas que nos causam medo e desespero.

 

É preciso que haja uma depuração.

Que a vida não seja de separação,

Mas de respeito, aprendizado e união.

Rodrigo Poiesis