Se você está tentando entender o que são as soft skills, hard skills e deep skills é provável que tenha ouvido alguém comentar sobre isso ou até tenham lhe pedido para trabalhar alguma dessas características.

Os termos soft skills, hard skills e deep skills são bastante utilizados na área de gestão de recursos humanos. É mais provável que você ouça falar deles quando está passando por um processo de seleção para um emprego ou, quando já está empregado, em momentos que precisa se aprimorar no trabalho.

Esses termos em inglês são formas de agrupar e separar diferentes tipos de aptidões que estão relacionadas ao âmbito profissional. A medida que você vai entendendo o que significa cada um fica mais fácil de relacioná-los ao seu dia a dia. Fique atento para perceber qual deles você mais precisa desenvolver.

 

HARD SKILLS

 

Começamos pelas hard skills por serem as mais conhecidas e exigidas pelo mercado de trabalho durante muito tempo. As hard skills são competências mais técnicas, que podem ser medidas e até comparadas. São aquelas características que estão presentes no currículo e são essenciais para determinadas funções.

Conhecimento em informática é um exemplo de hard skill. Se um cargo exige esse tipo de conhecimento, é fundamental que o candidato saiba como lidar com informática, do contrário, não serve para preencher o cargo.

Essa mesma hard skill de conhecimento em informática pode ser mensurada de diversas formas. Você pode ter um conhecimento básico, intermediário ou avançado, por exemplo. O cargo pode exigir que se saiba utilizar softwares específicos e o conhecimento que se tem de cada software pode variar.

Cada função tem suas hard skills específicas, que abrangem o conhecimento em grandes áreas como Economia, Direito, Artes, Administração e outros. Dentro de cada área os conhecimentos vão se subdividindo e se aprofundando de acordo com a área que cada um se especializou mais ou que tem mais experiência.

As hard skills podem ser obtidas por meio de aulas, treinamentos e vivências na área. Cursos como os de graduação, línguas estrangeiras, informática e técnicos são direcionados para o desenvolvimento das hard skills.

Por muito tempo as hard skills foram a base para a tomada de decisão na contratação e promoção dos profissionais. Acreditava-se que aquele que tinha o melhor desempenho técnico para exercer a atividade base de um cargo seria o mais adequado. Se o cargo fosse para motorista, por exemplo, ganharia aquele que melhor dirigisse o veículo.

Chegou um momento que ter boas condições técnicas para exercer um cargo já não era um diferencial, mas o básico para se concorrer a vaga. A medida que o mercado de trabalho passou a ficar mais concorrido e as exigências aumentaram percebeu-se que um bom profissional ia além do conhecimento técnico.

A necessidade de algo que fosse além das hard skills foi abrindo espaço para outras habilidades, muitas vezes difíceis de mensurar e até desconhecidas de muitas pessoas. As soft skills se tornaram o diferencial que, junto com as hard skills, torna um profissional qualificado para o mercado. 

 

SOFT SKILLS

 

Soft skills são competências mais subjetivas e difíceis de reconhecer. Estão relacionadas as aptidões mentais e a capacidade de lidar com as emoções. Tem relação com a personalidade, valores e crenças do indivíduo.

É importante destacar que quando falamos de hard skill e soft skill estamos abordando competências com diferentes características que juntas irão resultar num profissional capacitado no mercado. Por isso, não devemos escolher entre uma e outra ou tentar apontar qual é melhor, mas buscar desenvolver as duas de forma equilibrada.

Um ótimo programador de software pode se tornar um péssimo chefe, pois suas habilidades em informática não asseguram que ele irá lidar bem com pessoas ou que terá capacidade de liderança. Esse é um exemplo de uma pessoa bem qualificada quanto as suas hard skills, mas que não possui soft skills para exercer um cargo de chefia.

As soft skills estão mais ligadas ao modo que um profissional se relaciona com outras pessoas e na sua capacidade de lidar com situações que não são habituais, como momentos de estresse ou insegurança. Capacidade analítica, proatividade, comunicação assertiva, flexibilidade e resiliência são alguns exemplos de soft skills.

De forma similar as hard skills, para cada cargo existem soft skills que são mais necessárias e valorizadas. Mas seria um erro se limitar a desenvolver apenas uma ou outra soft skill. Diferente das hard skill, desenvolver diferentes competências relacionadas as soft skills pode ajudar qualquer profissional.

Um guarda de trânsito pode precisar mais de capacidade de gestão de conflitos, paciência e resiliência, por exemplo. Mas isso não quer dizer que essas mesmas competências não irão ajudar qualquer outro profissional em maior ou menor grau.

Talvez você esteja se perguntando se é possível aprender soft skills da mesma forma que é possível aprender as hard skill numa formação específica. A resposta para essa pergunta é sim. Porém, o aprendizado das soft skills não é tão direto e mensurável quanto as hard skills e tem como ponto de partida o autoconhecimento.

Para se desenvolver as soft skills com eficiência é preciso entender quais competências se destacam em cada pessoa, quais são mais necessárias para o momento que se está vivendo e as que tem mais potencial.

 

DEEP SKILLS

 

Refletindo sobre as hard skills e as soft skills dá para perceber a importância delas para os profissionais e empresas. Mas quando pensamos na vida profissional de uma pessoa, existe elementos importantes que vão além das suas competências técnicas e socioemocionais.

O algo a mais que complementa as hard skills e soft skills, se refere a motivação e envolvimento do profissional naquilo que faz. É aí que entram as deep skills que se relacionam as habilidades e atividades que estimulam o profissional.

Cada vez mais as pessoas se preocupam em encontrar propósito em suas vidas para que sintam que há um sentido maior do que apenas sobreviver. No âmbito profissional isso não é diferente. Poder sentir que o seu trabalho gera resultados que estão relacionados aos seus valores e anseios dá sentido ao que se faz e motiva para seguir em frente.

Ao encontrar as competências que mais estimulam e estão alinhadas ao propósito de cada profissional os resultados são surpreendentes. Uma pessoa que trabalha motivada estimula sua criatividade, agilidade no que faz, busca por soluções, é mais resiliente, tem maior envolvimento com a empresa e colegas e alcança melhores resultados.

Imagine um vendedor de roupas que foi promovido a gerente da loja em que trabalha. Essa pessoa exerce bem suas funções e entende do negócio em que atua, tem as hard skills necessárias. Também tem habilidades como a comunicação, empatia, liderança e outras que geram as soft skills necessárias para ser um bom gerente.

Esse gerente da loja de roupas, apesar de ser uma excelente profissional, não se sente motivado no trabalho. Tem a sensação que está no lugar errado e só cumpre as suas tarefas porque precisa receber o salário. Essa pessoa não está alinhada com a empresa em que trabalha, nem tem a motivação necessária para se manter de maneira saudável na nova função.

Pessoas que trabalham apenas pela sobrevivência podem passar longos períodos numa mesma função, apenas buscando motivação no salário. Porém, não terão a mesma facilidade de crescer e gerar resultados do que aqueles que estão estimulados e encontraram propósito naquilo que fazem.

Com o tempo, as pessoas que não conseguiram desenvolver suas deep skills e estão em seu trabalho apenas pela sobrevivência começam a focar nos problemas. São os profissionais que estão sempre reclamando, que acreditam que não são valorizados, que não oferecem soluções e creem que fazem demais.

É uma situação prejudicial para empresa, pois pode gerar conflitos, prejudicar o ambiente de trabalho, dificulta o atingimento dos resultados, entre outros problemas. Para o profissional, além da insatisfação com o trabalho, isso pode limitar seu crescimento profissional, prejudicar seu bem-estar pessoal e afetar a sua saúde.

Não é à toa que a deep skill remete a algo profundo (tradução do inglês de deep), são elementos que influenciam profundamente na vida de uma pessoa. Longe de ser algo passageiro ou que serve apenas para classificar o profissional, as deep skills são a base para um profissional feliz e envolvido com aquilo que faz.

 

O EQUILÍBRIO FAZ A DIFERENÇA

 

Se você está buscando uma colocação profissional, deseja crescer na carreira ou se tornar um profissional melhor naquilo que faz, então é preciso uma análise das suas hard, soft e deep skills. Entender onde estão os pontos que é preciso melhorar e quais são aqueles que mais lhe darão retorno em relação aos seus objetivos.

Um mentor, coach e profissionais voltados ao desenvolvimento profissional poderão ajudar no seu desenvolvimento. Agora que você entende o que são as soft skills, hard skills e deep skills, fica claro o quanto elas são importantes para sua vida profissional. Não dar a devida atenção a elas pode ter um alto custo na sua vida como um todo.

O equilíbrio faz a diferença quando falamos das soft skills, hard skills e deep skills. Não adianta focar em apenas uma buscando um objetivo momentâneo. É como acreditar que apenas fazer um curso de informática específico fará você conseguir determinado emprego e sua trajetória profissional estará resolvida.

A vida de um profissional é muito mais do que conseguir um emprego ou ganhar bem. Amar o que se faz, conseguir resultados extraordinários, ter orgulho de si mesmo, ter sempre novos e empolgantes objetivos e saber que o seu trabalho faz a diferença só se consegue quando se desenvolve as soft skills, hard skills e deep skills adequadamente.

Reflita sobre a sua vida profissional e aquilo que deseja para si mesmo. Você tem as competências necessárias para conseguir o que quer? Consegue identificar o que precisa mudar? Me mande uma mensagem ou deixe um comentário me contando 😊

Rodrigo Poiesis
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