O preconceito e a discriminação andam de mãos dadas e, como uma praga que destrói a plantação, infestam a nossa sociedade com dor, exclusão e muita ignorância. O preconceito é o reflexo da opinião de uma pessoa, ou grupo de pessoas, sobre um tema sem que exista um conhecimento prévio, informações ou motivos reais que deem base para essa ideia formada. Quando o preconceito tem determinadas pessoas como alvo ele acaba gerando a discriminação.

O tratamento negativo desencadeado na discriminação pode ser acionado por diferentes motivações surgidas do preconceito. Mas um fator é constante para criar esse movimento de exclusão e agressão contra determinadas pessoas: a diferença. As principais diferenças de pessoas que se tornam vítimas do preconceito e da discriminação estão relacionadas a etnia, religião, orientação sexual, aparência, o fato de ser portador de alguma doença ou deficiência e outras características que as coloquem numa posição fora do padrão da maioria das pessoas.

 

POR QUE A DIFERENÇA É UM PROBLEMA?

 

Nós podemos acreditar que evoluímos muito ao longo do tempo e que o comportamento das pessoas do passado já não tem mais nada a ver com o nosso atual, mas a verdade é que somos o resultado de eventos passados. A forma como interagimos com as pessoas e o mundo ainda traz reminiscências do comportamento da sociedade no passado.  Não precisamos ir muito longe no tempo para lembrar da época da monarquia em que a família real tinha a concentração do poder nas mãos e os nobres lutavam ao redor deles para ter um pouco desse poder.

Nossa história é marcada por determinados grupos de pessoas que se mantinham no poder e se sobressaiam aos demais mantendo com maior segurança e facilidade sua sobrevivência com conforto e regalias que os demais não tinham acesso. Esse poder era mantido pela dominância de diferentes grupos tidos como inferiores. Quanto mais excluído e afastado da realidade daqueles que comandavam e ditavam as regras, maior era a probabilidade de sofrer e morrer cedo.

Apesar de atualmente as pessoas não precisarem se agarrar aos grupos com maior chance de sobrevivência e sucesso temos esse registro ainda presente. Agindo semelhante a um instinto, que nos conduz automaticamente sem usar a razão, essa informação que foi programada em nós ao longo de gerações, nos faz querer estar próximos dos grupos dominantes e nos afastar daqueles que são diferentes e não tem o poder nas mãos. Como se hoje isso ainda fosse garantir a nossa sobrevivência ou acesso as regalias e ao poder.

 

A FALTA DE CONSCIÊNCIA É A GRANDE VILÃ

 

O fato das pessoas buscarem se unir a grupos mais poderosos e com melhores condições de vida nunca foi uma desculpa para excluírem e abusarem dos outros. Mas sempre foi o grande motivador das ações discriminatórias ao longo do tempo. Hoje é comum encontrar pessoas de grupos excluídos e que são minoria se destacando em diferentes áreas e ter acesso ao poder e a condições de vida melhores. Porém, o preconceito e a discriminação persistem vivos para muitas pessoas.

Aqueles que vivem no piloto automático, que não param para pensar no motivo de fazer o que fazem, que simplesmente aceitam o que uma maioria fala e que só estão preocupados com eles próprios acabam sendo reféns dos seus instintos. Não desenvolvem suas consciências e reagem ao mundo de acordo com os grandes grupos. É o efeito manada que direciona o comportamento e pensamento da maioria das pessoas que acreditam que o seu comportamento é o correto, mesmo sem ter parado para pensar sobre isso (entenda melhor esse comportamento lendo o texto Normose).

 

PARA ACEITAR OS OUTROS É PRECISO SE ACEITAR

 

Viver uma vida perfeita como aquelas retratadas pelos filmes hollywoodianos com finais felizes não retrata bem a realidade das pessoas. Ser popular e aparecer bem nas fotos e vídeos das redes sociais e estar sempre com um sorriso no rosto é desgastante e não transmite uma imagem da verdade. A vida que “todos devem ter” na realidade não é para todos, mas todos correm atrás dela para não serem excluídos dos grandes grupos (saiba mais sobre o assunto no texto O dever de ser e ter).

Muitos indivíduos que são preconceituosos e discriminam determinados tipos de pessoas se escondem por trás de imagem do que é certo. As pessoas devem fazer isso ou aquilo, se comportar desta ou daquela maneira e tudo que foge a isso é errado e deve ser extirpado da sociedade. Tal crença é imposta pelos grandes grupos e por uma bagagem cultural que não é contestada por eles. São movidos apenas pelo medo de perderem sua dominância, regalias, ou qualquer outra vantagem que tenham sobre outros.

Pessoas que são movidas pelo medo e pelo egoísmo e fazem suas escolhas pelo senso comum não tem qualquer comprometimento com sua própria evolução e desenvolvimento. Ainda estão apegadas a luta pela sobrevivência e pelo poder. Não compreendem as decisões de pessoas que pensam e vivem de formas diferentes. É normal que elas próprias não se aceitem ou entrem em conflito com suas escolhas, afinal, estão fazendo o que os outros dizem ser o melhor ou mais correto. A aceitação não vem de fora, ela começa consigo mesmo (leia também Julgar e ser julgado).

 

FALAR (AINDA) É PRECISO

 

Vivemos na era da informação, tecnologicamente avançamos muito mais nos últimos anos do que em vários séculos, não precisamos mais batalhar por espaço ou sobrevivência. Não precisaríamos ter que discutir diferenças entre homens e mulheres, entre diferentes etnias ou acreditar que pessoas são menos por terem limitações. Mas o fato é que precisamos, infelizmente, ainda é preciso falar clara e abertamente sobre o preconceito e a discriminação.

Enquanto pessoas que são diferentes forem vistas como problemas e o sentimento for de que elas estão melhores a margem da sociedade, foras do convívio ou excluídas de alguma outra forma, estaremos estagnados como sociedade. Nossa evolução fica ameaçada por ideias retrógradas e tóxicas que envenenam as pessoas desde épocas remotas. De nada valerá toda a tecnologia do mundo ou conhecimento se isto não nos melhorar como seres humanos.

 

 

DIFERENÇAS

 

Parecer igual não é ser igual.

Não ache que sabe do outro

Quando ainda não sabe de si.

 

As diferenças nos ensinam e engrandecem.

Quebram barreiras e dão vida ao desgastado.

Não são limitações, mas elos de ligação.

 

A vida só é completa com todas as suas cores.

Saia desse filme em preto e branco.

Faça você a diferença!

Rodrigo Poiesis