Ninguém sabe de nós mesmos a não ser nós mesmos. Tantas coisas pelas quais passamos no decorrer de nossas vidas, tantas experiências e aprendizados que nos moldam e influenciam nas escolhas que tomamos. Tantas lembranças que guardamos, tantas outras que se perdem e que resultam em incontáveis impressões, nosso ser registra e codifica a forma com a qual enxergamos as coisas e como interagimos com o mundo. Somos aquilo que entendemos de nós mesmos e do mundo e o resultado disso se dá ao longo da nossa trajetória pela vida buscando os objetivos que almejamos (leia também objetivos de vida).

Basta observar nossas experiências individuais para entender o quanto somos diferentes uns dos outros, apesar das semelhanças. Cada um tem seu próprio mundo particular onde trafegam todo conhecimento acumulado e impressões do mundo. Para algumas pessoas este mundo é pouco explorado e valorizado a ponto de não acreditarem que isso seja uma parte real sua. São pessoas que percebem apenas aquilo que está na frente delas, o que podem tocar. Outros sabem muito bem que o seu infinito particular existe, mas procuram não olhar muito para dentro dele com receio de se perderem.

 

CORAGEM DE ENCARAR A SI MESMO

 

São poucos, muito poucos, os que percebem seu mundo particular e conseguem transitar livremente entre ele e o “mundo real”. Estaria mentindo se dissesse que não dá medo de entrar nesse mundo particular, encarar a si mesmo, se defrontar com múltiplas facetas de si, coisas que poderia ser, aquilo que você é, verdades trancadas e esquecidas no tempo. Fragmentos da alma espalhados ao longo de um labirinto esperando para serem juntados para que possam refletir a beleza de cada um. Sim, beleza, porque nossa essência é bela, mas quem está disposto a catar os cacos de nós mesmos e montar esse quebra-cabeça?

Os  que se aventuram em seus próprios mundos acabam tendo que lidar com a pressão do mundo externo, as dúvidas que podem não ser respondidas e pelos anseio de que tudo se encaixe logo. No início dessa busca por si mesmo é normal se sentir sozinho, mesmo estando rodeado de pessoas. Pessoas que vivenciam essa experiência sentem que não são compreendidas, são mais introspectivas, pois nem sempre o mundo em que vivem faz sentido para os outros. Em algum nível a maior parte de nós já se sentiu assim, mas não tivemos coragem de ir adiante e nos conhecer mais a fundo. Quando tocamos nesse nosso mundo desconhecido logo voltamos a nossa realidade cotidiana com medo do que podemos encontrar.

 

QUAL MOMENTO VOCÊ ESTÁ VIVENDO?

 

Mas afinal, qual realidade é a que importa? Aquela que vivemos na frente das pessoas, na forma que nos relacionamos com os outros e aquilo que elas estão enxergando de nós ou a realidade que existe dentro de nós, com os sentimentos abafados, pensamentos não expressos, vontades não ditas, comportamentos não vivenciados e tantas coisas mais que chegamos a desconhecer em nós mesmos? Importa aquela que nos faz mais sentido, cada um de nós, diferentes uns dos outros como somos, estamos vivenciando experiências que correspondem a nossa individualidade.

A maioria das pessoas continuará a ignorar o mundo que traz dentro de si, mas cada vez mais pessoas estão despertando para a beleza que podem alcançar em seu eu interior, desbravando seu mundo desconhecido. São pessoas que querem algo mais da vida, que não conseguem simplesmente fazer o que todo mundo faz sem se questionarem, que buscam um propósito que lhes preencha e transborde e dê verdadeiro sentido ao caminho que vão trilhando.

Para alguns esse texto não fará tanto sentido, mas terão aqueles que entenderão o sentimento e a dificuldade em lidar com seu mundo interior. Uma dificuldade que é recompensada, um caminho em que não se deseja voltar e que, se por um lado há a solidão presente, há também um maior espaço para se admirar as novas paisagens que se descortinam. Saiba que a solidão é apenas ilusão, pois não há momento em que estás melhor acompanhado do que o momento que descobre a si mesmo e passa a viver uma vida mais autêntica e plena.

Rodrigo Poiesis