Você já ouviu falar em normose? Você se acha uma pessoa normal? Já desejou ter uma vida normal como tantas outras pessoas? Há grandes chance de que você esteja inserido em algum tipo de normose sem perceber.

Esse texto fala um pouco sobre a busca de cada um para se encaixar no mundo e como isso pode nos levar a normose. Não raro estamos observando alguém em algum local que frequentamos ou por meio da internet. Quando encontramos alguém que parece ter a vida perfeita (ou algo próximo a isso) e comparamos com a nossa geralmente o sentimento que surge é o de desânimo ou inconformismo com a situação que vivemos atualmente.

O desejo que as coisas mudem é grande, dificilmente nos sentimos satisfeitos com a atual condição na qual vivemos. Pode ser que você ache que tudo dá errado apenas com você ou que as pessoas que você costuma ver desfilando por aí como belos sorrisos e fotos perfeitas tem a vida dos sonhos. Mas a realidade não é bem assim, nem sempre os sorrisos refletem felicidade, nem todas as reuniões familiares são harmônicas, assim como nem toda foto perfeita mostra os sentimentos por trás dela (leia também A imagem que transmitimos aos outros).

É normal querer ser aceito, valorizado e estar inserido em grupos. O ser humano é um ser social e busca isso naturalmente. Existe uma grande chance de que você acredite que ter uma vida como todas as outras pessoas que lhe parecem felizes seja a melhor maneira para você ser feliz também. Dessa forma, você pode estar se deixando envolver numa busca por uma vida normal que apenas irá lhe fazer mal. Por isso, é importante entender o que é normose e se você pode estar sofrendo com isso.

 

O QUE É NORMOSE?

 

A normose se caracteriza por um estado predominante no meio social caracterizado pelo desequilíbrio crônico onde as pessoas acreditam que o que fazem é o normal e benéfico, quando na verdade é algo prejudicial. Isso pode ser percebido em retrospectiva em diferentes épocas, como quando a escravidão era a base da força de trabalho, quando as mulheres não tinham direito a voto ou as oportunidades de trabalho que os homens tinham, quando crianças trabalhando em fábricas era algo comum ou quando as pessoas se casavam sem amor.

São diversas as situações tidas como normais ao longo da história da humanidade e que depois foram entendidas como abomináveis. Este estado patológico em que algo prejudicial se torna o padrão, seja em pequenos ou grandes grupos de indivíduos, tende a fazer as pessoas que estão fora deles se sentirem isoladas. Com dificuldade em lidar com sua tendência natural de viver em grupos podem se forçar a se enquadrar em determinadas práticas nas quais não se identificam.

 

QUEM É DIFERENTE É EXCLUÍDO

 

Em cada período da história em que se tinha diferentes crenças do que era correto ou não existe algo que sempre foi igual. A situação daqueles que não compartilhavam do mesmo pensamento da maioria. Se você não fizesse parte do “normal” de cada época, você era o estranho e era excluído. O diferente sempre foi punido de alguma forma pela sociedade. Como no tempo em que as pessoas que eram contrárias a igreja eram queimadas em fogueiras, quando agentes do governo praticando ações ilícitas e não sendo julgados como qualquer outra pessoa seria (essa última um tanto familiar).

Fazendo uma retrospectiva na história e no entendimento do que era correto ou não fica mais fácil entender que nem todo conjunto de normas, conceitos, valores, formas de agir, pensar ou os hábitos das pessoas que eram tidos como normais realmente são positivos. O difícil é olhar para o momento atual e perceber isso. Vivemos numa sociedade em que penalizamos alguém que trabalha pouco e ganha muito, por exemplo, por termos uma crença de que só é bom quem trabalha muito. Quanto mais uma pessoa trabalha, mais valorizamos ela.

Pensemos nas eleições no Brasil e a forma de agir de diferentes grupos de pessoas. Aqui o voto de vários eleitores pode ser trocado por algum bem ou favorecimento. Inúmeros eleitores não se preocupam com a pessoa a qual estão dando o seu voto, como se isso não fosse influenciar a vida delas. Outras preferem votar naquele que tem mais chances de ganhar, como se isso fosse um campeonato de futebol em que elas esperam estar torcendo para o time campeão. Há ainda os que brigam entre si em nome dos seus candidatos, não para discutir ideias e construir algo bom, mas para mostrar quem é o melhor, se comportam como se fossem torcidas organizadas.

Não são poucas as situações que presenciamos em diferentes grupos da sociedade que analisados friamente não fazem nenhum sentido. Mas que são vivenciados como normal geral. Por mais que tenhamos atualmente grande diversidade de pensamentos e comportamentos não estamos livres de viver a normose. Esse estado patológico pode estar presente em pequenos grupos, comunidades, regiões, países, etc. Antes de querer estar inserido em um grupo a qualquer custo é preciso se conhecer e entender no que você realmente acredita e o que lhe faz bem (leia o texto Conhecer a si mesmo).

 

VIVA SEU POTENCIAL

 

Pode não ser fácil estourar a bolha em que vivemos e nos abrir para uma nova realidade, mas mais difícil que isso é viver uma vida em que não somos nós mesmos. Cada um tem dentro de si imensas potencialidades e diferentes formas de ver e sentir o mundo. Ignorar isso é deixar o melhor de nós adormecido enquanto tentamos viver da mesma forma que todo mundo vive, como se isso fosse receita de felicidade. Quando as pessoas estão em total acordo com aquilo que é socialmente esperado e ignoram seus próprios anseios e convicções estão no caminho da tristeza e frustração.

Se você está o tempo todo preocupado em ser como todo mundo não irá perceber sua própria vocação e potencialidades. É preciso entender que nem tudo que é o padrão é correto ou bom para você. Ouça sua voz interior e perceba aquilo que faz sentido para você. Só invista no que lhe faz bem e no que você verdadeiramente acredita ser correto. Sua trajetória na vida será traçada de acordo com seu desejo e vontade de mudar. Os resultados serão correspondentes as ações que você colocará em prática a cada dia.

 

 

MAPA DA FELICIDADE

 

A felicidade é algo grande a se alcançar.

Seus mistérios não são fáceis de decifrar.

Seguir em frente sem se conhecer

É falhar antes mesmo de tentar.

 

Não há um trajeto definido

Ou uma receita para copiar.

Todos temos nossos caminhos

E só o tempo irá mostrar.

 

Muitos passarão por nós

Com suas máscaras festivas

Vendendo a fórmula do bem-estar.

 

É preciso estar atento.

Não se deixar levar.

Fazer o que o coração mandar.

Rodrigo Poiesis