Quanto mais tempo vivemos, mais nos familiarizamos com aquilo que compõe a nossa rotina. Mas se acostumar com algo não é o mesmo que entender ou enxerga-lo como realmente é. Você pode acreditar que entende perfeitamente como as coisas ao seu redor são, mas nem tudo é do jeito que você vê.

Cada pessoa é um ser único, as experiências que cada um vai acumulando ao longo da vida formam uma história específica. Para algumas pessoas a vida é bela e cheia de possibilidades, para outras, a vida é um martírio sem fim.

O ser humano está em constante construção e vai se moldando de acordo com suas vivências e entendimento da realidade em que vive. A história individual de cada pessoa vai formando diferenças que as tornam únicas, essas experiências pessoais também são responsáveis pelas diferentes percepções.

 

O MEIO EM QUE VIVEMOS INFLUENCIA NOSSA PERCEPÇÃO

 

Se você apresentar temas variados para pessoas diferentes, como a pena de morte, a permissão legal para um homem casar com várias mulheres ou a legalização das drogas, você terá diferentes opiniões. O entendimento desses temas usados como exemplos são percebidos de formas distintas em diferentes localidades e culturas.

O entendimento de como as coisas funcionam, do valor de cada coisa e de quais são as melhores escolhas para se fazer no decorrer da vida sofrem muita influência do meio em que vivemos.

A família é nosso primeiro contato com o mundo, os amigos são uma das maiores influências que vamos tendo enquanto amadurecemos e os eventos sociais que participamos destacam aquilo o que a cultura local mais valoriza. Não há como nos desvincular totalmente dessa herança.

Nossa família, nossos amigos, a comunidade em nossa cidade, país e as diferentes culturas que temos contato tem uma percepção geral dos acontecimentos. Essa proximidade com um modo de interpretar predefinido influencia nossa percepção da realidade e, consequentemente, nossas decisões.

 

SAINDO DA MESMICE

 

O normal para as pessoas é ter ideias prontas sobre diferentes assuntos. São ideias que se formaram há tempo e pouco ou nada se modificam com o passar do tempo. Para essas pessoas se abrir para novas ideias ou formas de pensar pode significar abrir mão de suas raízes, de ensinamentos e tradições com as quais se acostumaram.

Quando se mexe com as crenças que são a base para a forma de ser de alguém existe uma barreira muito grande a ser enfrentada para que algo se modifique. A pessoa pode sentir que está indo contra as pessoas e os ensinamentos que fizeram ela ser quem é até o momento presente.

Não se trata de ir contra, mas de rever, questionar e repensar o que se viveu e o que foi aprendido. A medida que se entende que isso é um processo natural e de busca do desenvolvimento pessoal é possível ampliar a percepção dos acontecimentos.

 

CADA UM VÊ AS COISAS DE UM JEITO

 

Por mais que tenhamos uma visão alinhada com a de outras pessoas e nos deixemos influenciar pelo meio em que estamos inseridos uma coisa é certa: cada um vê as coisas de um jeito. Seja pequena ou grande, por mais sutil que seja, a diferença sempre está presente.

A percepção individual de cada coisa é o que faz algumas pessoas se sentirem mais à vontade no verão, outras no inverno, algumas preferirem viver em centros urbanos, outras no campo. Os gostos, as decisões, a forma como alguém se sente e interage, são baseados no entendimento que se tem da realidade em que se vive.

Cada pessoa é um ser único, com experiências, sentidos e pensamentos distintos. Assim, quando você olha para uma paisagem ao lado de outra pessoa, por mais que vocês sejam parecidos, cada um irá perceber aquela visão de uma forma diferente. Essas diferenças podem aproximar ou distanciar as pessoas.

 

CONFLITOS GERADOS POR DIFERENTES VISÕES

 

Quando se encontra alguém que pensa de forma parecida é normal se sentir à vontade com essa pessoa. É como se ela fosse familiar, você sente maior facilidade em ser você mesmo na presença dela, como se ela lhe entendesse melhor que as outras pessoas.

O contrário também é válido. Quando você encontra alguém que pensa de forma muito diferente de você o impulso é de afastamento. Você se sente incomodado com a proximidade dessa pessoa e qualquer conversa sobre algo divergente pode virar uma discussão. É como se ela estivesse ali para lhe contrariar e afrontar.

Só conseguir conviver bem com pessoas que pensam como você e ficar tentando convencer os outros de que o seu ponto de vista é o correto gera grandes problemas de convivência. Quanto maior é a necessidade de estar certo, maior é o isolamento gerado.

A partir do momento que você entende que cada indivíduo percebe as coisas de forma distinta, fica mais fácil de compreender reações tão diferentes para uma mesma situação. Você pode exercitar a empatia com mais facilidade quando não parte apenas do seu ponto de vista para interpretar uma situação.

 

  VÁ ALÉM DO SEU CAMPO DE VISÃO

 

É muito cômodo e também instintivo tirar conclusões apenas pela imagem que está na nossa frente. Como quando alguém é suspeito de um crime e quem recebe a informação logo fala mal dessa pessoa e indica as piores penas para este indivíduo, sem se preocupar se realmente a pessoa é culpada.

Quantas vezes você já discutiu ou acusou alguém de algo que não tinha acontecido da forma que você tinha pensado inicialmente? Quantos foram os arrependimentos por ter agido de forma impulsiva sem entender totalmente a situação? A relação entre pessoas pode ser um desafio quando nos deixamos levar apenas pelas primeiras impressões. 

Também podemos agir assim em situações mais simples, como quando acordamos e vemos a chuva pela janela e reclamamos disso. Sem pensar que essa chuva seja necessária ao abastecimento da água, ao cultivo do alimento que vai para sua mesa e para a manutenção da vida em geral.

Estreitar a forma como vemos e entendemos os acontecimentos da vida limita o nosso desenvolvimento, dificulta nossa relação com as outras pessoas, torna a vida mais amarga e difícil de ser vivida. Saber que existe muito mais além daquilo que podemos perceber à primeira vista é o primeiro passo para ampliar seu campo de visão.

Não se contente apenas com o que parece, busque entender o porquê dos acontecimentos. Seja mais paciente com as pessoas ao seu redor e busque desenvolver a empatia. Não pense que você estará fazendo um esforço pelos outros, na verdade, essa é uma mudança que, primeiramente, irá beneficiar você.

Rodrigo Poiesis