DESAFORO PRA CASA

Em nossas variadas atividades ao longo do dia convivemos com diferentes pessoas, nossos relacionamentos com elas são os mais variados, assim como aquilo que sentimos por elas. Aquelas que nos são mais próximas e queridas, muitas vezes, são as que mais fazemos sofrer. Quantas vezes descarregamos nossas frustações e raiva quando chegamos em casa, somos mal humorados e sem paciência justamente com nossos familiares e amigos mais próximos. Geralmente isso acontece sem consciência de nossa parte, sem nos darmos conta do efeito daquilo que estamos fazendo.

O que nos leva a agirmos assim senão as consequências externas que teremos se deixarmos transparecer o que sentimos para as pessoas que realmente fizeram com que nos sentíssemos dessa forma. Perder um emprego, gerar comentários, ficar exposto diante dos outros, desagradar alguém com nossa atitude, seja o que for, engolimos muito lixo diariamente e temos a tendência de descarregar naqueles que nos dão razão para sermos felizes.

Claro que nem todos agimos continuamente assim, às vezes isso ocorre num momento de grande estresse ou quando estamos tão cansados que nem temos forças para tentar achar uma outra forma de agir, só queremos paz, distância de tudo, respirar fundo e não pensar em nada. Aprendemos a aceitar isso, a sociedade convive com situações assim e as pressões da vida não nos deixam aceitar caminhos que não passem por situações assim. Acreditar que isso é o normal da vida é o pior que podemos fazer. A medida que baixamos a cabeça e dizemos amém para situações como essa, aí mesmo que as coisas não irão mudar.

Por mais difícil e trabalhoso que seja, temos que lutar por uma vida que realmente desejamos ter. Tanto o caminho tortuoso e cheio de buracos como o caminho reto e plano tem suas dificuldades, mas é muito melhor buscar caminhar pelo trajeto mais tranquilo e que nos leve direto ao que queremos. Para isso, precisamos buscar a paz e a reconciliação com nós mesmos, com nosso íntimo. Nos aceitar e poder responder a nós mesmos que vida queremos levar. Que tipo de relacionamentos queremos manter e de que forma. E então, buscar responder o que podemos fazer (que caminho tomar) para que isso se torne realidade.

Perceber e valorizar as pessoas ao nosso redor que nos fazem bem é essencial, pois elas que nos ajudarão a alcançar os melhores caminhos a conduzir nossas vidas. Enquanto as pessoas que não nos agregam coisas positivas devemos manter distância. Situações contínuas de desaforo e mal estar que vivenciamos em nossas vidas devem ser fortemente revistas e confrontadas. No sentido de analisar até que ponto aquilo pode ser melhorado ou mesmo eliminado de nossas vidas, mas nunca aceito sem que lutemos para modificar nossa situação para melhor.

Se não lutarmos para nos sentirmos bem, se não procurarmos soluções e não valorizarmos as pessoas que fazem de nossas vidas melhores, então não podemos reclamar das consequências da falta de ação, nem podemos nos sentir como coitados que sofrem pela mão impiedosa de um destino cruel que sorri apenas para poucos escolhidos. Vivemos em condições diferentes uns dos outros, mas todos temos a capacidade de fazer diferente e transformar nossas vidas em algo muito melhor.

 

O céu cinzento vai me entorpecendo aos poucos

O ar é espesso e custoso de respirar

Arranha a garganta e me faz lacrimejar.

 

Lágrimas que correm em meu rosto,

Que percorrem um caminho sinuoso,

Mas ninguém ao meu redor pode notar.

 

Sou opaco, vazio, invisível.

Moldado para servir,

Treinado para não sentir.

 

Sou clandestino nessa terra.

Meu recipiente quebrou.

As lágrimas não irão parar de rolar

E os gritos irão me calar.

 

Tenho que sair enquanto é tempo,

Não posso mais seguir em fila

Olhando para os pés

Sem encontrar uma saída.

 

Quero acreditar que posso mais.

Que a vida não se limita a apatia.

Que a felicidade é o normal da vida.


 

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