Viver, crescer e vencer. A vida nos apresenta diferentes caminhos e nossa trajetória é conduzida por aquilo que buscamos e vivenciamos de acordo com nossas crenças. O amadurecimento costuma ser turbulento e se divide em diferentes fases da vida. O anseio por conquistar nosso espaço e nos libertar é grande, ter sucesso e ser admirado, construir família e ter muitos amigos. Manter tudo isso e ir além, a vida acaba sendo uma corrida onde não temos tempo para parar, nem para ficar olhando para trás. Os objetivos estão em frente e acreditamos que conseguindo o que almejamos seremos os vencedores.

Lembrando de quando éramos crianças é fácil identificar vários momentos em que precisamos da ajuda de adultos. Com o tempo vamos crescendo e conosco cresce a vontade de liberdade e independência, de poder fazer as coisas por nós mesmos e tomar nossas decisões sem ninguém para interferir. A juventude tem seus momentos de rebeldia, tem suas ambições por mudar o mundo, nem que seja o nosso próprio mundo. Acreditamos que estamos prontos para tudo e as primeiras experiências de muitas coisas que fazemos são marcantes e nos dão a sensação de que estarmos experimentados.

Acreditamos que a maturidade não comporta as brincadeiras de criança ou os gostos da juventude. A vida adulta impõe mudanças, pode ser dura e desgastante com suas responsabilidades pesando sobre nossas cabeças, a imediata necessidade de resolver problemas que parecem nunca acabar e as exigências da sobrevivência e do nosso bem-estar. Tantas cobranças que precisamos nos reinventar e sermos alguém que gere resultados. Agora, senhores de si e no auge da independência sabemos muito bem o que queremos (ou não) e somos donos de nós mesmos. A vida parece passar mais rápido do que nunca e para alcançar aquilo que almejamos tomamos decisões que nem sempre são aquelas que queremos.

A medida que a velhice se aproxima procuramos clareza e significado, entender as coisas com mais profundidade e preencher um vazio que estava latente dentro de nós esse tempo todo. Depois que preenchemos nossas vidas de coisas e pessoas ao nosso redor percebemos que nos falta preencher algo fundamental, algo em nosso íntimo. É uma nova fase com experiências em busca de alguma coisa mais, alguma coisa que a vida não nos mostrou e que precisamos compreender para que toda nossa trajetória até ali faça sentido.

Quando a velhice nos alcança o corpo tende a esmorecer e os sentimentos se afloram, a velha armadura parece ceder deixando a mostra muito do que guardamos dentro de nós por um longo tempo. As palavras já não são tão medidas, as atitudes menos programadas, nada mais tem a importância que tinha antes. O pensamento, finalmente, vai passando do futuro para o presente. Valorizamos as pessoas que permaneceram ao nosso lado, as coisas que temos condições de fazer, nossa qualidade de vida e o que deixaremos para quem ficar quando já não estivermos aqui. Que história contarão sobre nós? Será que lembrarão de nós?

O tempo parece encurtar e tudo que temos é o momento presente e as coisas e pessoas ao nosso redor. As memórias que construímos ao longo de nossa história nos traz suspiros e a lembrança das brincadeiras de infância já não parece mais uma bobeira, pelo contrário, adoramos rir e brincar com as crianças e quem mais souber aproveitar o momento sem se preocupar. Como é bom poder viver independente e livre da prisão das exigências que nós mesmos nos impomos, das obrigações que achamos que temos, das situações que nos colocamos em nome de resultados e das coisas que temos de abdicar por acharmos que não é o momento.

Queremos dizer a todos como é bom brincar novamente, que o momento de aproveitar é o presente e sempre. Escancarar ao mundo nossas descobertas de felicidade e realização, de que compreendemos que as coisas podem ser diferentes. Mas não há muitos ouvidos para nos ouvir, nem pessoas com tempo para refletir. Faz tempo que passamos do nosso auge e as outras fases da vida não querem nos ouvir, todas cheias de si, tem muito caminho a percorrer e coisas a descobrir. Com sorte, um dia elas também chegarão aqui.

 

 

LEMBRANÇAS DE UM TEMPO BOM

 

Ainda lembro das risadas das outras crianças

Das brincadeiras inocentes que um dia existiram.

De sentir que os dias eram pequenos demais

E mal cabiam nas travessuras que fazíamos.

 

Tudo congelou e ficou para trás.

Momentos que ficaram eternizados

Relembrados entre suspiros carentes

De mais momentos como aqueles.

 

O mundo poderia parar mais vezes

Deixar que saboreássemos o momento

Sem regras ou aborrecimentos

Só deixando nossas pernas nos levar.

 

Meus amigos se foram,

Talvez nem lembrem mais de mim.

Mas para os que estão aqui

Entendam que o passado que ficou

É a chave para a liberdade no porvir.

 

Infográfico - Crescer e Vencer

Rodrigo Poiesis