A inteligência emocional está cada vez mais presente em nossas vidas. A gestão das emoções se torna cada vez mais importante para uma boa convivência. Foi o psicólogo, jornalista e escritor Daniel Goleman o responsável por popularizar este termo que se refere à capacidade de perceber, identificar, compreender e gerenciar nossos próprios sentimentos e emoções.

Muitas situações apontadas como acidentes ou acontecimentos pontuais, refletem um despreparo das pessoas em lidar com suas emoções. Exemplo disso é o bullying, que se refere a atos reiterados de violência física ou psicológica contra uma vítima. Tratando-se sempre de atos violentos, no corpo deixam marcas externas, mais que evidentes e alarmantes; mas a violência psicológica, não menos perniciosa, enraíza feridas profundas, muitas vezes recalcadas, que impactam o desenvolvimento, criando cicatrizes e perturbações que, por vezes, subsistem até à vida adulta.  

 Bullying e inteligencia emocional

 

O bullying nem sempre é percebido pelos pais e responsáveis, muitas vezes não é informado pelos jovens e crianças, por medo de acusarem seus agressores e sofrerem mais ainda. Com a popularização da internet o bullying se expandiu para os meios digitais com o cyberbullying. Mesmo sem estar diante dos agressores a vítima pode sofrer a distância com o cyberbullying.

 

BUSCANDO CULPADOS

 

Estamos acostumados a apontar vítimas e agressores, os bons e os maus, ter uma linha clara entre quem sofre o abuso e quem o pratica. Mas no caso do bullying, por trás de cada agressor há também uma vítima da sua insegurança, da sua falta de autoestima, da sua própria incompreensão, das suas circunstâncias familiares e do que observa. Não basta pensar em punições e afastamento entre vítimas e agressores. É preciso buscar educação, diálogo, desenvolver autoestima e ajudar os jovens e crianças a entenderem e respeitarem as diferenças.

A comunidade escolar tem papel fundamental para auxiliar os jovens e as crianças. Ao criar mecanismos de prevenção e de proteção das vítimas de bullying e conscientização dos alunos em relação a convivência com pessoas diferentes, estará dando suporte para que se trabalhe a inteligência emocional dentro da escola.

Antes de cobrar que as crianças hajam de forma diferente com os outros, naquilo que se entende por crianças comportadas, é preciso conduzi-las a fazer as pazes com elas mesmas, a aceitar e valorizar as diferenças e gerar empatia. Essa é uma mudança que leva toda uma geração a entender e respeitar a individualidade de cada um e a buscar o seu próprio caminho, sabendo que suas escolhas e forma de ser tem valor e podem leva-las a um caminho de felicidade.

 

 

A matéria original é do site Observador

Rodrigo Poiesis
Últimos posts por Rodrigo Poiesis (exibir todos)