Em nosso dia a dia passamos por pessoas que pedem ajuda a quem por elas passar e, talvez por desconhecermos elas, não ajudamos. Também encontramos pessoas de nosso convívio que não pedem qualquer ajuda, mas ao convivermos com elas acreditamos saber o melhor para elas e as ajudamos, mesmo que elas não queiram. Dizemos como elas podem fazer melhor uma atividade, como poderiam se relacionar melhor com determinadas pessoas, que devem sair mais, ou menos. Que devem agir de determinadas formas em cada situação, como poderiam criar melhor os filhos, como se portar com os amigos, enfim, sabemos como o outro poderia agir para ter mais êxito na vida, basta que ele nos ouça e deixe de teimosia.

Tentamos, mesmo sem perceber, adequar os outros aos nossos padrões predefinidos de comportamento para uma vida feliz, mesmo que nossas próprias vidas não sejam tão felizes. Daí vem a pergunta: o quanto esse tipo de ajuda é efetivo? Antes de ajudar alguém, precisamos entender se aquilo que recomendamos ao outro funciona para nós de verdade, se nos faz mais feliz, se gera resultados bons de verdade. Depois, é importante entender a realidade do outro, se esse auxílio se adapta a realidade dele. E o fundamental, se a pessoa realmente quer ajuda, pois não dá para ajudar quem não quer ajuda.

É preciso muita atenção e bom senso nessa questão de aconselhar alguém, pois muitas vezes a outra pessoa não quer ajuda de verdade (mesmo ela dizendo que precisa de ajuda), é muito comum a outra pessoa só querer falar. Ser o centro das atenções e nos usar (mesmo que inconscientemente) para liberar uma avalanche de situações que ela vive onde ela sofre por estar no meio desse turbilhão de acontecimentos e não sabe mais o que fazer. Daí, mesmo você dando seus melhores conselhos e até se oferecendo para ajudar no que puder, a pessoa simplesmente ignora o que você falou. O famoso entrar por um ouvido e sair pelo outro, ela agradece e diz que vai ver, ou pensar sobre isso (quando não diz que isso não funciona para ela), mas não aplica mudança alguma, continua vivendo na mesma tempestade de problemas de sempre.

O que não muda para tal pessoa problemática é o fato dela continuar propagando aos quatro cantos os seus problemas e o como eles não se resolvem. Simplesmente porque a busca dela não é resolver problemas, mas ganhar atenção e existem pessoas que fazem coisas inacreditáveis por atenção. Mas o ponto aqui é ajudar alguém e a importância de saber se estamos em condições de ajudar, se a ajuda que oferecemos pode ser efetiva para a outra pessoa e se a pessoa realmente quer ajuda. Se a resposta para estas questões for sim, então temos grandes chances de ajudar essa pessoa.

Vivemos diferentes momentos em nossas vidas e em cada um deles estamos em condições de entender e assimilar determinadas coisas, então, se num momento alguém não está acompanhando ou não quer ouvir algo que você tem a dizer, talvez no futuro essa pessoa possa vir a entender isso. A evolução pessoal passa por diferentes momentos e caminhos e cada um tem sua própria rota e velocidade. Perceba ainda que a maioria de nós precisa aprender as coisas na prática, apenas vivenciando determinada situação irá aprender sobre ela. Aquele que oferece ajuda precisa ter percepção da individualidade do próximo e paz no coração para agir quando sua ajuda pode auxiliar e se afastar quando sua ajuda não é efetiva, podendo até piorar a situação.

Ajudar alguém é o exercício de sair de si mesmo e abraçar uma realidade que está além da sua, é ver o mundo com os olhos de outro e, junto dele, procurar saídas que conduzam a melhores situações. É entender que nem sempre o que é bom para você é bom para o outro, mas que você sempre poderá ajudar, mesmo que essa ajuda se resuma a melhorar a si mesmo e tornar a realidade que gira ao seu redor algo melhor.

 

 

AJUDAR A QUEM?

 

Meus ouvidos estão à beira da surdez.

Os gritos de socorro e a insensatez

Quase me enlouqueceram dessa vez.

 

Como ajudar quem não me escuta?

Como mudar a vida de quem não muda?

 

Muito tempo já se passou,

Minha paciência se esgotou,

Mas a culpa me imobilizou.

 

Como dar as costas a um ente querido?

Como viver sabendo que o outro sofre?

 

É preciso discernimento,

Saber que para tudo há um momento.

Que eu preciso estar bem para distribuir o bem.

Infográfico - Ajudar os Outros

 

Rodrigo Poiesis