A MÍDIA E O PADRÃO DE BELEZA

A MÍDIA E O PADRÃO DE BELEZA

Começo o texto perguntando para você qual é a sua ideia de corpo ideal? Pense numa pessoa bonita, como ela é? A mídia tem grande influencia no padrão de beleza que aceitamos como ideal. É bem provável que as imagens que lhe vieram à mente estejam relacionadas aos padrões atuais de beleza.

 

A nossa ideia de corpo ideal é uma representação mental que vamos construindo de acordo com os diferentes referenciais que temos ao longo da vida. Tentamos nos adequar ao que a maioria das pessoas acha belo. Assim conseguimos a aprovação dessa maioria e somos aceitos pelos grandes grupos e, conforme a perfeição atingida nessa beleza almejada, conseguimos nos destacar dentro dos grupos.

 

Nos diferentes meios de distribuição de conteúdo a mídia dissemina os padrões de comportamento e estética aceitos pela sociedade como ideais. Aqueles que desejam aceitação e destaque se rendem a esses padrões. Essa busca por atingir a beleza ideal pode englobar desde uma pequena insatisfação com a forma atual do corpo até processos patológicos em que a pessoa se prejudica numa busca interminável por uma perfeição que nunca atinge (entenda mais sobre padrões da sociedade que podem ser prejudiciais no texto Normose).

 

O PADRÃO DE BELEZA AO LONGO DO TEMPO

 

Nem sempre a ideia de um corpo bonito foi essa que idealizamos hoje. Ao longo do tempo o padrão de beleza foi se alterando. Se houvesse perfeição nesses corpos idealizados ao longo do tempo eles não se modificariam de tempos em tempos. Para ilustrar bem essas mudanças de padrão estético na história da humanidade o BuzzFeed criou um vídeo onde ilustra com diferentes modelos os tipos físicos (femininos) que eram o padrão de beleza de cada época. Confira o vídeo abaixo.

 

 

Se preferir confira em imagens abaixo:

 

 

TODOS QUERENDO SER O QUE NÃO PODEM SER

 

Um dos principais problemas na busca pelo corpo idealizado como padrão é que praticamente ninguém tem condições alcançá-lo. Quando a mídia expõe um padrão de beleza não considera as diferentes características de cada pessoa, localidade ou cultura. É um modelo único que não condiz com a realidade da maior parte da população. Buscar esse padrão imposto como ideal para ser aceito como alguém belo ou atraente acaba gerando situações problemáticas.

 

Pode ser que a televisão, o rádio ou qualquer meio impresso da mídia não seja do seu interesse. Dessa forma, a influência desses meios sobre você é mínima. Mas o que dizer da influência das outras pessoas, especialmente quando disseminadas por meio das redes sociais digitais. É uma imensidão de pessoas propagando os padrões preconcebidos e limitando seus círculos de amizade aqueles que melhor representam esses modelos.

 

Pesquisas de alunos da área de nutrição apontam para a influencia direta que há nas redes sociais e na distorção da autoimagem das pessoas. Esses problemas não tem uma idade específica para início, estão presentes desde a infância até a terceira idade. O estudo concluiu que a mídias sociais contribuem cada vez mais para as doenças relacionadas a distorção de autoimagem e busca de padrões de beleza (MILA; MAYNARD, 2019).

 

A ALIMENTAÇÃO TAMBÉM FICA PREJUDICADA

 

Para quem busca de forma incessante se moldar de acordo com o padrão de beleza a saúde não costuma ficar em primeiro lugar. A preocupação com a aparência pode levar a transtornos alimentares, exercícios físicos exagerados e constantes cirurgias plásticas. Na hora que se escolhe o que irá comer leva-se em conta o quanto determinado alimento pode impactar no objetivo de atingir a forma corporal ideal.

 

A influência da mídia não contribui apenas para a disseminação da ideia de padrão de beleza, também influencia em relação aos alimentos que consumimos. A disputa comercial entre diferentes marcas de alimentos nos apresenta ideias surreais em suas comunicações. São propagandas com modelos em corpos esbeltos, perfeitamente inseridos nos padrões estéticos, ingerindo fast-food, refrigerantes, biscoitos recheados e uma infinidade de alimentos prejudiciais à saúde.

 

O estudo de Bezerra (2012) concluiu que a mídia possui um papel importante influenciando o comportamento das pessoas em relação aos alimentos. Creditando aos alimentos poderes que vão além da energia e nutrientes para o funcionamento do corpo. Agindo como verdadeiros remédios que podem direcionar o indivíduo a obter uma prática de vida saudável, se inserindo dentro dos padrões almejados.

 

Sem perceber escolhemos o que ingerir, frequentamos lugares, nos comportamos com base naquilo que acreditamos que irá nos tornar pessoas mais próximas dos padrões de pessoas aceitas pela sociedade. São escolhas que, geralmente, não são benéficas, nem mesmo resultarão no padrão que almejamos. Pois é um padrão que quase ninguém atinge. Quanto mais nos damos conta da distância que estamos do padrão, mais nos sentimos frustrados e a margem do resto das pessoas (leia também o texto Expectativa é sinônimo de frustração).  

 

FAÇA AS PAZES COM VOCÊ MESMO

 

A sensação de bem-estar e felicidade reside dentro de você. A forma como você lida com as pessoas e aquilo que cria no decorrer da vida reflete aquilo que tem dentro de você. Abraçar a sua individualidade e se aceitar como é possibilitará que se sinta bem consigo mesmo. Conforme vai entendendo isso você buscará menos coisas que lhe agregam externamente e valorizará mais aquelas que preenchem internamente.   

 


Fontes

A construção do sujeito saudável: relações discursivas em propagandas de alimentos. Letrônica, junho/2012.

A relação entre mídias sociais e transtornos de autoimagem em mulheres. Uniceub, 2019.

 

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