Ter liberdade com o tempo que se tem disponível pode não ser algo fácil de lidar. É comum que se ouça a frase “você está desperdiçando tempo”, se referindo ao estado em que se deixa o tempo passar sem fazer nada de importante. Como já comentei no texto objetivos de vida é importante ter foco no caminho que traçamos e percorremos durante a vida. É justamente na definição do que queremos fazer e o caminho que vamos percorrer que exercemos nossa liberdade de escolha. Nosso livre-arbítrio é o que faz com que cada um de nós seja dono do seu próprio destino.

Em relação ao ato de desperdiçar tempo podemos entende-lo sob dois ângulos, o primeiro e mais óbvio é quando a pessoa está num estado de inércia por estar perdida em relação a que direção vai seguir. O tempo vai passando sem que ela consiga tomar uma decisão. Por mais que nada na vida seja em vão, creio que essa situação pode ser encarada como um desperdício de oportunidade de fazer algo mais e tornar a experiência vivida mais proveitosa.

O outro ângulo que podemos observar é o da liberdade de escolha, situação em que você decidiu, ou mesmo está totalmente consciente do seu estado de inércia. Em outras palavras: está parado porque quer. Neste caso, a pessoa tem seus objetivos e planejamento de vida definidos, sabe por onde vai e como melhor lhe cabe ir por esse caminho. A pessoa é dona do seu tempo e faz com ele o que bem entende. Sabe que o que pode parecer inércia e perda de tempo para os outros, para ela, é um tempo necessário. Faz parte do caminho e da forma de vivenciar ele que ela escolheu.

 

SE SENTIR BEM COM SUAS ESCOLHAS TAMBÉM É UMA ESCOLHA

 

A questão de perder tempo sem fazer nada vale para várias outras coisas que as pessoas percebem como algo fora do padrão e vem com conceitos prontos. O que não falta são pessoas que tem um julgamento na ponta da língua para cada ocasião, para cada ação do outro. São atitudes que as pessoas costumam ter sem pensar no que estão fazendo (leia também Julgar e ser julgado). Não dá para querer que todos tenham os mesmos comportamentos e façam as mesmas escolhas. Se vivêssemos num mundo de iguais nunca teríamos evoluído.

Se estamos conscientes daquilo que fazemos, sendo algo que faz parte do caminho que desejamos seguir e nos faz bem, então sigamos fazendo pleno uso do nosso livre-arbítrio. Por mais que isso possa nos deixar em uma posição diferenciada frente a escolha da maioria, se não afrontar a liberdade e o direito dos outros, temos que nos entregar aquilo que nos realiza. O mundo é um local de constantes descobertas, cabe a cada um de nós construir sua própria história.  

 

Rodrigo Poiesis